Biblioteca do Observatório Céu Austral

 

 

A Origem da Designação dos

Hemisférios

por Regina Auxiliadora Atulim

 

 

Os adjetivos utilizados para caracterizar os hemisférios norte e sul da Terra (e do céu) são derivados de palavras e/ou expressões latinas. Sua origem remonta à antiga Grécia, onde inúmeras manifestações da natureza eram associadas a deuses e seres sobrenaturais.

Os planetas históricos, Mercúrio, Vênus, Marte, Júpiter e Saturno, receberam as designações latinas dos deuses gregos Hermes, Afrodite, Ares, Zeus e Cronos. O Sol era associado a Helios e a Lua (Luna), à deusa Selene.

Até mesmo os ventos eram associados a divindades. Aquilon, Auster, Favonius e Vulturnus eram os correspondentes latinos dos deuses gregos Boreas, Notos, Euros e Zephyros, associados aos ventos do norte, do sul, do leste e do oeste.

Dessa origem mitológica foram extraídos os adjetivos atribuídos aos hemisférios. O hemisfério sul, por vezes, é designado como hemisfério austral. O adjetivo austral deriva de "australis", palavra que origina-se do deus latino dos ventos do sul AUSTER (Notos, para os gregos). Já o hemisfério norte é chamado muitas vezes de hemisfério boreal, uma óbvia referência ao deus grego Boreas, associado ao deus dos ventos do norte.

Outras designações bastante comuns são os adjetivos meridional e setentrional para caracterizar uma localidade ou objeto pertencente ao hemisfério sul ou ao hemisfério norte, respectivamente.

O termo meridional deriva do latim "meridianus", palavra que significa meio-dia. A relação com o hemisfério sul reside no fato de que para os habitantes das médias e altas latitudes do hemisfério norte, o Sol, ao meio-dia, encontra-se sempre inclinado para o sul.

Já a palavra setentrional, tem origem na constelação de Ursa Major, a Ursa Maior, cuja parte principal é formada por sete estrelas, do latim, "septem triones".

 

 

 

 

 

Torre dos Ventos em Atenas (Grécia) - monumento que contém a representação de cada um dos deuses dos ventos em sua parte externa superior

 

 

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